Os Médicos e o Tabaco: O Grande Desafio da Medicina
Resumo
1º Capítulo Introdução
O Tabaco é a principal causa individual evitável de doença e de
morte. As Ordens Nacionais dos Médicos (ONM) e os seus membros têm
um papel crucial no controlo do tabagismo. Médicos e o Tabaco: O
grande desafio da Medicina é um manual prático para as Ordens dos
médicos e para os médicos em geral+. Embora tenha sido encomendado
pelo CMCT* especialmente para os médicos europeus, este guia é certamente
válido para médicos de outros países, assim como, para outros profissionais
de Saúde e assistentes na luta anti-tabagista.
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2º Capítulo Os riscos do tabaco
O Tabaco mata todos os anos, a nível mundial, 4 milhões de pessoas.
Em 2020, o número das vítimas irá subir até 10 milhões. Em 1995,
o Tabaco provocou, só na região da Europa, 1,2 milhões de mortes.
Em 2020, este número irá chegar a 2 milhões. O tabaco é a causa
principal de cancro, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares
e problemas do aparelho reprodutor. Os fumadores passivos ficam
expostos a cancro do pulmão, doenças respiratórias crónicas, doenças
do coração e tromboses nos adultos, assim como, asma, doenças do
aparelho respiratório inferior, pulmões subdesenvolvidos e função
reduzida e infecções do ouvido médio em crianças. O tabaco sem emissão
de fumo provocam cancro da cabeça e do pescoço. Em qualquer idade,
o simples facto de deixar de fumar melhora a saúde e aumenta a esperança
de vida.
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3º Capítulo Mulheres e jovens
Em muitos países europeus, o hábito de fumar nas mulheres e jovens
está aumentar. Ambos os grupos são importantes mercados novos para
a indústria tabaqueira e são alvo de muita publicidade e acções
promocionais. A maioria dos fumadores contraem o vício em criança.
As ONM devem trabalhar com as organizações e meios de comunicação
social mais próximos dos jovens e mulheres, e considerar ambos os
grupos ao planear actividades de controlo do tabagismo; devem ainda
certificar-se de que as mulheres estão representadas em todos os
grupos de aconselhamento sobre o tabaco.
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4º Capítulo O tabaco e as desigualdades sociais
Os padrões de consumo do tabaco variam, frequentemente, entre grupos
populacionais. Os grupos que são especialmente vulneráveis incluem
grupos socio-económicos mais baixos e certas minorias étnicas, incluindo
populações de emigrantes. As ONM devem incluir estes grupos no planeamento
das actividades de controlo do tabagismo e de estratégias de comunicação.
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5º Capítulo O potencial dos médicos
Os médicos têm um enorme potencial para reduzir doenças e mortes
por influência do tabaco. Eles possuem grande credibilidade quando
falam sobre assuntos de saúde, além de terem a responsabilidade
e a oportunidade para aconselhar pacientes e influenciar os responsáveis
pelas decisões. Os médicos reconhecem a necessidade da colaboração
e de estabelecimento de parcerias com outros profissionais de saúde
e outros grupos para a abordagem do problema do tabaco.
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6º Capítulo Deixar de fumar
Muitos fumadores querem deixar de fumar, mas têm dificuldades em
consegui-lo. Um aconselhamento breve por parte do médico aumenta
as hipóteses para que a interrupção tenha êxito. Os médicos devem
inquirir se os pacientes fumam, esclarecê-los sobre os riscos, oferecer
assistência e apoio e estabelecer o acompanhamento. É delineado
um plano para uma breve intervenção. A terapia para a substituição
da nicotina quase duplica as hipóteses de sucesso e deve ser oferecida
sempre que seja apropriado. Os outros profissionais de saúde também
têm um importante papel a desempenhar. As ONM devem esclarecer os
médicos sobre a importância de deixar de fumar e da sua responsabilidade
em ajudar os pacientes. Os representantes de grupos de profissionais
de saúde devem ser incluídos.
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7º Capítulo Controlo do tabagismo: iniciativas dos médicos a nível
local
As ONM locais e os médicos independentes podem contribuir para
o controlo do tabagismo trabalhando com as comunidades locais, meios
de comunicação social, políticos, e responsáveis pela tomada de
decisões. Os médicos que desempenham funções de aconselhamento profissional
- a nível da saúde pública, ambiental e ocupacional, das autoridades
locais, sindicatos e meios de comunicação social - possuem oportunidades
adicionais para agir, assim como os que estão envolvidos na investigação
e em entidades financiadoras de projectos de investigação. As ONM
podem oferecer apoio para as actividades de controlo do tabagismo
a nível local e individual.
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8º Capítulo Educação e formação
Muito pode ser conseguido sem formação. Contudo, a formação eleva
a consciencialização e contribui para ao criação do compromisso.
A formação sobre a interrupção do vício do tabaco poderá aumentar
os níveis de confiança do médico, mas ainda não demonstrou ser particularmente
influente nos resultados. As escolas de medicina devem realizar
uma abordagem fundamentada para educar os estudantes sobre o tabaco
- é fornecido um programa de actividades. Dar continuidade à formação
médica e desenvolvimento profissional também proporciona oportunidades
para aprender sobre o controlo do tabagismo. Os representantes das
ONM devem receber formação nas áreas de relações públicas e preparação
para o confronto com a argumentação e táctica das tabaqueiras.
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9º Capítulo Aumentar a consciencialização dos médicos: iniciativas
para as Ordens dos Médicos
As ONM têm o dever de chamar a atenção dos seus membros para o
tabaco. É fornecido um guia prático. As ONM devem reconhecer que
o controlo do tabagismo é uma parte importante do seu trabalho e
constituir um grupo anti-tabagismo empenhado ao mais alto nível.
Os próprios hábitos de fumar dos médicos influenciam as suas atitudes
perante o tabaco e os conselhos que dão aos pacientes. As ONM devem
realizar inquéritos regulares sobre o hábito de fumar entre os seus
membros e analisar os resultados. As ONM podem educar os seus membros
sobre o tabaco por meio de cursos, reuniões, publicações da ONM
e da imprensa médica. Os médicos que fumam devem receber a possibilidade
de acompanhamento para deixar de fumar. Os membros devem ser encorajados
a aconselhar os pacientes a deixarem de fumar. As ONM devem estabelecer
uma proibição de fumar no interior dos seus edifícios e nas reuniões
e rever as suas carteiras de investimentos.
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10º Capítulo Controlo do tabagismo: iniciativas para as Ordens
dos Médicos
As ONM desempenham um papel importante na campanha de controlo
do tabagismo. O grupo anti-tabagismo da ONM deve delinear um programa
de acção nacional. A colaboração com outras entidades de saúde e
trabalho é fundamental. As ONM devem estabelecer contactos com os
meios de comunicação social e com os políticos. As ONM devem fazer
campanha em favor da proibição de fumar nas instalações dos serviços
de saúde e de uma efectiva educação sobre o tabaco nas escolas médicas.
As ONM poderão fazer campanha em favor de um estudo básico sobre
o problema do tabaco a nível nacional ou preparar o mesmo estudo
e acompanhar continuamente a situação. A avaliação do êxito das
medidas de controlo do tabagismo é fundamental.
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11º Capítulo Política de controlo do tabagismo
As ONM devem fazer campanha para a existência de uma legislação
abrangente de controlo do tabagismo que deve ser acompanhada e implementada.
Os elementos-chave incluem: proibição da promoção do tabaco, aumento
dos preços através da aplicação de impostos, educação pública, avisos
sobre os perigos para a saúde, proibição de fumar nos lugares públicos,
proibição de venda de tabaco a crianças, regulação do produto e
apoio para deixar de fumar.
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12º Capítulo Os médicos e os litígios
O tabaco é um produto perigoso que, em grande parte ainda não foi
objecto de regulamentação. Os serviços que prestam cuidados de saúde
e alguns fumadores têm vindo a processar as tabaqueiras para recuperar
custos e danos provocados pelo tabaco. Neste litígio, os médicos
prestam declarações no papel de testemunhas qualificadas e na função
de médicos pessoais. As ONM podem promover o litígio e explicar
a sua importância. Também têm sido tomadas medidas legais contra
as entidades patronais pelos empregados expostos ao fumo do tabaco
no posto de trabalho. No futuro, os pacientes que julguem terem
sido mal aconselhados ou assistidos no processo de deixar de fumar,
poderão processar os seus médicos.
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